Riscos psicossociais: Respondendo algumas dúvidas!

Os riscos psicossociais são problemas organizacionais e de relacionamentos interpessoais que causam danos à saúde física, emocional e mental dos colaboradores, decorrentes do ambiente de trabalho no qual estão. O conceito envolve diferentes fatores, como estresse ocupacional, assédio, sobrecarga de trabalho, conflitos entre colegas ou chefias e insegurança profissional.

Todos esses elementos, quando não gerenciados adequadamente, comprometem o bem-estar e a produtividade dos funcionários, e até mesmo a sustentabilidade do ambiente de trabalho.

Inclusive, esse tema se destacou nos últimos anos devido aos impactos crescentes sobre a saúde mental dos trabalhadores e o desempenho das organizações.

Para você ter uma ideia, o Ministério da Previdência Social contabilizou, em 2025, o segundo recorde de afastamento em 10 anos. Foram mais de 546 mil profissionais afastados devido a diferentes transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão. 

Um bom gerenciamento de riscos ocupacionais não apenas ajuda a diminuir esses números como a promover mais qualidade de vida aos trabalhadores e mitigar transtornos para os negócios.

Um exemplo é que, desde maio de 2026, as empresas passaram a ser multadas e essas ameaças precisaram ser incluídas no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), obrigatoriamente.

Para ajudar você a adequar seu negócio, evitar problemas legais e cuidar melhor do seu quadro de funcionários, trouxemos uma sequência de perguntas e respostas sobre o que são riscos psicossociais e como gerenciá-los corretamente.

Confira!

NR-1: o que mudou e qual relação com os riscos psicossociais?

A principal mudança foi a inclusão desse tipo de ameaça no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Significa que as empresas brasileiras, independentemente do porte, devem identificar, avaliar e controlar essas questões e a ausência de suporte organizacional como parte das suas obrigações legais em saúde e segurança do trabalho.

A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da questão dos riscos psicossociais no trabalho, passou por uma atualização importante pela Portaria MTE nº 1.419 em agosto de 2024.

Após prorrogação oficial pela Portaria MTE nº 765/2025, o texto entrou em vigor em 26 de maio de 2026 e tornou as obrigações e fiscalizações plenamente exigíveis a partir desta data.

Desde então, os empregadores precisam reconhecer os riscos psicossociais e também implementar planos de ação com medidas preventivas e corretivas, como reorganização do trabalho ou melhorias nos relacionamentos interpessoais.

Além disso, deve-se monitorar continuamente essas ações, e revisá-las sempre que necessário.

A seguir, você entenderá melhor quais ameaças precisam de acompanhamento.

O que são riscos psicossociais?

Trata-se de qualquer aspecto nas condições de trabalho e, principalmente, na organização laboral, com potencial de causar danos psicológicos, sociais ou físicos à saúde dos trabalhadores. Alguns bons exemplos são sobrecarga de trabalho, assédio moral, cobrança excessiva e ambientes precários para a execução das tarefas.

A falta de um bom gerenciamento de riscos ocupacionais tende a gerar consequências graves aos trabalhadores, como estresse crônico, ansiedade, depressão, burnout e até afastamentos por questões de saúde mental.

Para mitigar esses impactos, a nova redação da NR-1 determina a inclusão desses fatores no Inventário de Riscos, no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e no PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional).

Contudo, para saber o que listar nesses documentos, antes é preciso conhecer as causas dessas ameaças.

Quais são os fatores de riscos psicossociais mais comuns?

As razões mais recorrentes partem de questões organizacionais, relacionais e individuais que afetam negativamente a saúde mental e emocional dos trabalhadores. Essas causas surgem, principalmente, quando há um desequilíbrio entre as exigências do trabalho e os recursos disponíveis para executá-lo, ou quando o ambiente de trabalho compromete o bem-estar psicológico.

Estes são exemplos de fatores de riscos psicossociais mais comuns nas empresas:

  • excesso de carga de trabalho: prazos apertados, jornadas longas e pressão constante por resultados;
  • falta de controle sobre as atividades: pouca autonomia para tomar decisões ou organizar as próprias tarefas;
  • ambiguidade ou conflito de papéis: quando as responsabilidades não são especificadas ou há exigências contraditórias;
  • falta de reconhecimento e recompensas: ausência de feedback, valorização ou perspectivas de crescimento;
  • clima organizacional negativo: ambiente competitivo, tóxico, autoritário ou com comunicação ineficaz;
  • assédio moral ou sexual: comportamentos abusivos, humilhações ou discriminação;
  • isolamento social: falta de apoio dos colegas ou superiores ou trabalho solitário;
  • insegurança no emprego: medo de demissão, contratos temporários ou instabilidade organizacional;
  • conflito entre vida pessoal e profissional: dificuldade de conciliar demandas do trabalho com a rotina fora dele;
  • mudanças organizacionais mal geridas: reestruturações, fusões ou mudanças tecnológicas sem preparo adequado.

Qual o resultado de negligenciar esses fatores de risco?

A tendência são consequências graves, como estresse crônico, ansiedade, depressão, burnout e afastamentos por doenças ocupacionais. Todos esses pontos afetam negativamente a vida, a saúde e a rotina dos profissionais, bem como a dinâmica de funcionamento da empresa e a percepção de cuidado por outros colaboradores.

Para facilitar a sua percepção de efeito, listamos quais podem ser os principais reflexos desses problemas. Veja!

Como os riscos psicossociais impactam o trabalho?

Essas ameaças costumam reduzir significativamente o desempenho operacional, elevar os índices de absenteísmo e estimular a rotatividade de talentos. A ausência de um suporte psicológico fragiliza a cultura corporativa, o que resulta em quedas de produtividade, erros operacionais frequentes e aumento de acidentes de trabalho.

Além disso, esses riscos afetam negativamente a saúde física do trabalhador, a exemplo de distúrbios do sono, como insônia, dores musculares, problemas cardiovasculares e imunológicos, geralmente relacionados ao estresse crônico.

Vale destacar também que uma rotina de trabalho pautada em pressão constante por metas e a cobrança excessiva podem gerar quadros severos de ansiedade. Esse estado de alerta permanente desencadeia um ciclo contínuo de esgotamento e potencializa o surgimento das demais complicações físicas e emocionais.

A junção de todos esses reflexos causa queda no engajamento, sentimento de desvalorização e perda de sentido no trabalho.

Há ainda impactos na organização, nos quais os ambientes tóxicos ou estressantes levam à saída de profissionais e ao aumento de custos com desligamentos e novas contratações.

Fora os conflitos interpessoais, que resultam em falta de colaboração mútua e baixa confiança entre equipes e lideranças.

Por fim, há a possibilidade de a empresa responder processos trabalhistas por assédio moral e negligência com saúde mental, bem como ter que lidar com os danos à imagem da marca.

A melhor maneira de evitar impactos como esses é adotar estruturas e fluxos que permitam avaliar pontualmente as ameaças para, em seguida, definir medidas para saná-las.

Entenda!

Qual metodologia utilizar na avaliação de riscos psicossociais?

Não existe um método único aplicável a todas as organizações, pois a escolha dependerá do contexto específico, da cultura da empresa, dos recursos disponíveis e dos objetivos da avaliação. No entanto, existem algumas opções que atendem bem essa verificação, como COPSOQ, HSE e PROART.

O COPSOQ (Copenhagen Psychosocial Questionnaire) é um instrumento validado internacionalmente para mensurar a exposição a fatores psicossociais no trabalho e avaliar exigências quantitativas, ritmo, previsibilidade, conflito de papéis e saúde mental geral dos colaboradores.

O HSE, por sua vez, (Health and Safety Executive) é um método direcionado para o gerenciamento do estresse ocupacional que estrutura a análise em seis áreas fundamentais da rotina profissional: demandas, controle, apoio, relacionamentos, cargos e mudanças.

Já o PROART, (Protocolo de Avaliação dos Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho) é uma metodologia que analisa o contexto laboral sob três pilares integrados: a organização do trabalho, as condições das instalações e as relações socioprofissionais estabelecidas na rotina da empresa.

Tenha em mente que a escolha do método ideal garante a correta avaliação de riscos psicossociais e ajuda a sua empresa a estruturar ações preventivas eficazes e manter a conformidade legal com a NR-1.

Somente um psicólogo pode fazer a identificação dos riscos?

Segundo o MTE, não é obrigatório. Porém, a participação de um profissional com conhecimento em saúde mental e comportamento humano é altamente recomendada. Sua experiência assegura diagnósticos precisos sobre a organização laboral e previne equívocos metodológicos na aplicação de questionários e na estruturação das medidas preventivas que o GRO exige.

Além do psicólogo, podem participar da identificação de riscos psicossociais no trabalho engenheiros e técnicos de segurança do trabalho, médicos e enfermeiros do trabalho, membros da CIPA ou SESMT, gestores de RH e líderes.

Quando as empresas começam a ser multadas?

Administrativamente, começariam em maio de 2026. No entanto, uma liminar do STF (ADPF 1316 – Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) suspendeu temporariamente as penalidades financeiras por 90 dias para ajustar critérios técnicos. Portanto, embora a fiscalização e a obrigação de prevenção estejam ativas, as multas ainda não começaram.

É preciso enviar os riscos psicossociais ao eSocial?

Não, pois não estão previstos no Anexo IV do Decreto 3.048/99, que trata da aposentadoria especial. Contudo, essas ameaças organizacionais devem compor obrigatoriamente a documentação interna do PGR e do PCMSO da empresa, mas não geram eventos de SST nem cobranças tributárias no ambiente nacional do eSocial atualmente.

Qual a relação entre riscos psicossociais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO)?

Ambos representam uma série de perigos organizacionais (físicos, mentais e emocionais) que as empresas devem, obrigatoriamente, mapear. Nesse contexto, é fundamental identificar vulnerabilidades no ambiente corporativo, mensurar a severidade dos impactos, estruturar e implementar ações preventivas contínuas para garantir o bem-estar dos profissionais e o alinhamento às diretrizes da NR-1.

Quais os benefícios do gerenciamento de riscos ocupacionais?

A prevenção de problemas de saúde mental, a redução do absenteísmo e do turnover, a melhoria do clima organizacional, a redução de conflitos e, por fim, o aumento da produtividade e do engajamento dos trabalhadores, são algumas das principais vantagens de uma boa gestão para essas ameaças.

Contudo, para bons resultados, o gerenciamento de riscos ocupacionais precisa incluir ações preventivas, como pesquisas periódicas de clima, adequação de prazos e treinamentos de liderança empática, a fim de promover a saúde mental dos trabalhadores e construir uma cultura organizacional mais humana e acolhedora.

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